O encontro de twitteiros culturais, na tarde de ontem, não se restringiu a assuntos da cultura. Pelo contrário - transformou-se em debate animado, com grande participação da plateia, onde falou-se não só da disseminação da cultura pelas redes sociais, mas também de política, mídia e marketing.
O espírito colaborativo e multifacetado começava na mesa de debatedores - todos devidamente conectados em seus laptops - e na mesa da mediadora, Fernanda Musardo. Curitibana, uma das molas propulsoras do ETC Brasil - site que reúne os twitteiros culturais de várias cidades brasileiras - ela mediou o debate abrindo o microfone diversas vezes para o público. Atenta a todos os acontecimentos, Fernanda recebeu perguntas e participações tanto pelo twitter quando por bilhetinhos escritos a mão- muita gente na plateia admitiu não ter perfil no Twitter e estar ali para aprender sobre o microblog e redes sociais. Dessa forma, o diálogo teve espectro amplo, sem nenhuma discriminação entre os mais ou menos plugados.
Brincadeiras a parte - como quando um professor carioca perguntou se os twitteiros tomam "chope virtual", ou quando o ecologista
José Pedro Naisser contou que "quase casou com Yoko Ono" - os temas que vieram à tona foram pertinentes. Como
quando a mineira Júlia Andrade Ramalho Pinto afirmou que não existem fórmulas prontas para usar o Twitter,
fazer sucesso ou arrebanhar seguidores.
"O Twitter não é de ninguém. As redes sociais também
não - nem as boas ideias. Assim é no ETC, não há centralização, e isso não
é uma franquia que você vende com formato pronto. Tudo está sempre em transformação", observou
- no que foi confirmada por todos os debatedores da mesa, com a afirmação geral de que, em redes sociais, líderes
surgem o tempo todo, a partir de emergências e circunstâncias.
Ney Queiroz, professor universitário, disse que "Não ser centro é a essência do ETC Brasil":
todos podem, afirmou, e esta é a essência das redes sociais.
Para Júlia, deve acontecer uma mudança
de postura em relação ao uso do Twitter: em vez de "O que está acontecendo", segundo ela, é mais
interessante postar "O que estou vendo". "O olhar atento é que diferencia e faz o post ficar interessante". Para Queiroz,
o fato de a ETC falar de cultura não é o determinante: "É uma rede social que tem a cultura como pano
de fundo".
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