Educação transformadora - 12/03/2010

Educação que transforma o mundo e as pessoas é tema de painel no CICI2010

O português José Pacheco, o analista político Augusto de Franco, o diretor superintendente do Sesi, José Antonio Fares e o publicitário Luiz Fernando Guggenberger apresentam modelos transformadores de aprendizagem

O modelo educacional tecnicista, que só pensa em resultados e não leva em conta o desenvolvimento pessoal do aluno está ultrapassado. Para o professor e educador José Pacheco, é possível uma reconfiguração desse modelo de escola e a criação de outros ambientes de aprendizagem. "A aprendizagem acontece em qualquer lugar e tempo. Ela sempre vai existir. Novas ferramentas, como as mídias digitais, só vêm potencializar o trabalho dos professores, e não extingui-lo", afirmou o especialista, na abertura da Conferência Internacional de Redes Sociais, evento integrado à Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI2010), que acontece no Cietep, em Curitiba, numa promoção do Sistema Fiep.

"Uma nova educação é possível" foi o tema do painel  (Foto: Divulgação FIEPR)

O diretor superintendente do Sesi Paraná, José Antonio Fares, acredita que o atual modelo educacional compromete a aprendizagem, sendo necessário novas formas de educação. "O Sesi percebeu a necessidade de articular instituições sociais e educacionais para incrementar o processo de educação".

Fares apresentou os Arranjos Educativos Locais (AEL), comunidades de aprendizagem em rede, que articulam a comunidade para promover o desenvolvimento sustentável local, por meio da organização e disseminação de conhecimentos que a própria comunidade detém.

No Paraná, a proposta de formação de Arranjo Educativo Local partiu do Sistema Fiep. A primeira experiência iniciou no ano passado, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, onde já existem diversas ações. A segunda experiência é a do AEL Portão/CIC, em Curitiba, que está em fase de organização.

"No arranjo, as pessoas se unem para compartilhar conhecimento e aprender. Não há separação por idade, nem a relação professor x aluno. Os grandes pilares são aprender a aprender e aprender a 'polinizar' o conhecimento", destacou o analista político Augusto de Franco.

Segundo o publicitário Luiz Fernando Guggenberger, do Instituto Vivo, que também participou do debate, empresas criam suas escolas e investem em programas de educação, mas não conseguem mudar a forma histórica de fazer educação. "As escolas estão mais preocupadas com o tecnicismo e com os índices de avaliação do aluno, do que com a formação em si do indivíduo", disse Guggenberger, destacando que o modelo de educação do Instituto Vivo leva em conta o aprendizado em rede e o "aprender fazendo".

Tecnologia e educação - Os palestrantes foram unânimes em afirmar que a tecnologia complementa a aprendizagem, mas é preciso ter um equilíbrio. "Não podemos transformar nossas crianças em 'monstrinhos de computador', nem cultuar o computador. É preciso usar as mídias digitais a serviço da educação", disse Pacheco.

Exemplos - Pacheco falou sobre modelos de aprendizagem diferenciados, como a Escola da Ponte, uma escola pública da Vila das Aves, no subúrbio da cidade do Porto, conhecida por seu projeto inovador, pois rompe com os padrões tradicionais. É uma escola sem turmas, que não segue o sistema de seriação/ciclos adotado pelas instituições de ensino em Portugal.

Outro exemplo é uma escola da periferia de Teresina, no Piauí. Segundo Pacheco, mais de 80% dos alunos da escola não sabem quem é o pai ou são filhos de traficantes. "A história dessas crianças poderia influenciar no mal comportamento, mas, como existe uma rede de cooperação, todo mundo se respeita", disse.


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